: Chamada de trabalhos - Ciência e Conhecimento: Políticas e Discursos

A Revista Lusófona de Estudos Culturais (RLEC) convida a comunidade académica à submissão de artigos para o vol 3, nº 2 (2015), sendo o tema Ciência e Conhecimento: Políticas e Discursos

Coordenação: Moisés de Lemos Martins, Maria Manuel Baptista, Emília Araújo e Larissa Latif
Línguas: Português e Inglês
Data limite para a Submissão: 10 de setembro de 2015
Data da notificação de aceitação: 10 de outubro de 2015
Data de entrega dos textos completos e da versão inglesa: 10 de novembro
Data de Publicação da RLEC: dezembro de 2015

O conhecimento e a investigação constituem, hoje, espaços crescentemente valorizados do ponto de vista económico e social. Com uma tal conceptualização do conhecimento como bem comercializável, têm-se multiplicado as formas gerencialistas de avaliação e hierarquização das ciências, por um lado, e de racionalização das suas práticas e burocratização das rotinas de investigação, por outro. Este processo, em marcha acelerada, dá-nos o contexto de uma profunda subversão dos modos tradicionais de pensar a ciência, a investigação e o ensino, que hoje vivem a instabilidade e imprevisibilidade permanentes.

Estas mudanças são normalmente justificadas pela necessidade de reforçar os mecanismos de avaliação e validação da ciência. Dado o inegável contributo dos resultados científicos para o desenvolvimento humano das sociedades, cabe à investigação científica cumprir o ideal democrático de se submeter a processos de accountability. Este processo de escrutínio científico vem acompanhado, no entanto, pelas mais perversas consequências. Assim, ao invés de confirmar o efetivo contributo da ciência para o desenvolvimento social, um tal processo tem servido objetivos de controle das instituições, países e continentes, gerando novas desigualdades e novas tutelas, reforçando o campo hegemónico do poder.

Estas problemáticas e outras afins, ligadas aos processos de produção, disseminação, transferência e uso do conhecimento científico, têm sido analisadas através do olhar de vários domínios científicos, nomeadamente da economia, da sociologia e dos estudos sociais da ciência e da tecnologia, em geral. Como muitos autores o afirmam (Horkheimer, por exemplo), o conhecimento – nas suas diversas dimensões – enquanto objeto produzido e enquanto processo de conhecer – é profundamente cultural, está imbrincado com valores, visões do mundo, representações e ideologias. Por isso, torna-se cada vez mais pertinente debater e problematizar a cultura como elemento estruturante dos modos de fazer e de pensar a ciência e a investigação, introduzindo a observação dos modelos e tomadas de posição do passado, em termos organizacionais, seja à escala nacional, seja à escala internacional.

Entre outros temas de interesse, é cada vez mais central questionar as próprias retóricas da “qualidade”, que impregnam o quotidiano das instituições e formatam os discursos dos decisores, assim como a forma como os próprios  investigadores aderem, pensam e avaliam tais mudanças. Expressões tomadas como garantidas, tais como qualidade, cultura da excelência, mérito, avaliação transparente, empregabilidade, reconhecimento social das instituições de ensino superior e investigação, entre outras, merecem ser problematizadas à luz dos contextos políticos, sociais e organizacionais atuais e das suas lógicas de funcionamento.

Nesse contexto, são igualmente prementes as questões relativas às políticas de ingresso no ensino superior de populações segregados, estejam em causa fatores económicos, raciais, de género, ou então, outros fatores de exclusão social e cultural. E, da mesma maneira, há que atender às políticas de administração, internacionalização e oferta do ensino superior, no quadro das regiões, dos estados e da relação entre continentes.

A perspetiva dos Estudos Culturais é a de deslindar e desnaturalizar as relações de poder que atravessam e condicionam as relações sociais e humanas nos níveis macro e micro; interessam-nos, pois, tanto propostas sobre as grandes linhas das políticas nacionais em ciência e educação superior, quanto estudos sobre as formas locais de resistência, as pequenas fissuras no tecido normativo, as acções de afirmação de grupos ou redes de colaboração que articulem parceiros dentro e fora das universidades.

Este número da RLEC abre-se à discussão aprofundada sobre as atuais políticas e o atual estado da investigação e da educação de nível superior, e, com igual interesse, sobre as formas de resistência e as possibilidades de transformação que possamos imaginar, identificar, cartografar, envolvendo diferentes perspetivas e agentes.

Sugerimos os seguintes temas que procuram abrir o debate em torno dessas questões, mas que não necessariamente as esgotam, podendo os autores propor outras abordagens possíveis à problemática abordada nesta edição.

- Tecnocracia, ciência e educação superior
- Políticas de financiamento e práticas científicas: regulações e resistências
- Democratização do ensino superior: conquistas, riscos e desafios
- Investigação e Ensino: políticas e ações
- Universidade e sociedade: entre a transferência instrumental de conhecimento e o conhecimento colaborativo
- Novas tecnologias e estratégias colaborativas de conhecimento e transferência de conhecimento
- Redes de colaboração científica, nacionais e internacionais
- Inclusão social, racial e de género nas universidades: políticas e práticas, normatividades e resistências.

O formulário de submissão de artigos bem como as normas de publicação podem ser consultados no endereço http://estudosculturais.com/revistalusofona/index.php/rlec/about .

A Revista Lusófona de Estudos Culturais é uma publicação bilíngue e as submissões devem ser feitas em português ou em inglês, mas os textos devem figurar na edição nas duas línguas. Cabe aos autores cujos textos forem aceites providenciar a versão em inglês (para textos submetidos em português) ou em português (para textos submetidos em inglês).

Pedimos encarecidamente aos autores que colaborem com a celeridade do processo de avaliação e edição deste número utilizando o estilo APA para citações e referências bibliográficas (manual disponível em: http://www.apastyle.org.com ) e formatando os textos submetidos às normas de publicação da RLEC, que podem ser consultadas em: http://estudosculturais.com/revistalusofona/index.php/rlec/about/submissions#authorGuidelines



ISSN: 2183-0886